LANÇAMENTO

Em 2011, quando as primeiras notícias sobre os desabamentos em Friburgo surgiram na televisão, ainda desencontradas e parciais, eu estava distante da cidade, a salvo, no Rio de Janeiro, mas presa à tela. Igual a muitas pessoas, eu também ansiava por notícias boas, confiáveis. Mas recebia pedaços de histórias, relatos incompletos de perdas, buscas desesperadas por sobreviventes, solidão e muita solidariedade. A tragédia, como tantas outras, comoveu o país. E tocar neste assunto é mexer na ferida de novo. Ainda dói.

Foi no meio desse lodaçal que Ania buscou inspiração para sua obra literária. Uma ficção que, como na tragédia real, vai sendo construída aos pedaços.

Com uma escrita clara e cuidadosa, a autora, que imita a realidade para compor seus personagens,  deu voz ao sofrimento de uma cadela. Brisa chamou minha atenção. Ao acompanhar os sentimentos, a dedicação e o reconhecimento que demonstrou àqueles que cuidaram dela, eu só me lembrava da tristeza de Baleia, a personagem famosa de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, embora em um cenário diverso: a seca nordestina.       

                                                               TINA CORREA

                                                   (escritora)

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